Conscientização Psicológica

July 10, 2014

Com a finalidade de fazer-se refletir e clarificar sobre certos fatos de nosso dia a dia, e que refletem concomitantemente em nossa vida cotidiana e conseqüentemente, em nossa sociedade.

 

 

1) A BANALIZAÇÃO E/OU USO INDEVIDO DE TERMOS CLÍNICOS OU SOCIAIS "GERAÇÃO FAST FOOD"

 

Muitas vezes em nosso dia a dia, queremos tudo para ontem, com a sensação de estarmos sempre atrasados, gerando-nos um comportamento de pressa contínua e busca por soluções milagrosas para nossos desejos e problemas. 

Visualizando tal necessidade, fica fácil a aparição de Estelionatários, “Salvadores da Pátria” e/ou Oportunistas que juram resolver todos os seus problemas. Vemos isto na política, na mídia, assim como nas campanhas publicitárias contemporâneas de produtos tecnológicos, por exemplo. Mas o que conta mesmo, é que tudo começa em nós, nas pequenas coisas do dia a dia. 

 

Neste momento, não nos damos conta do quanto nos deparamos com “termos” totalmente inadequados, que induzem nossa percepção a selecionar somente o resultado que estamos desesperados para ver; Como nas ilustrações abaixo*:

 

• “SUPERE SEU TRAUMA /FOBIA HOJE MESMO”

•“ A PSICOLOGIA DA MAGREZA INSTANTÂNEA”, 

•“ A PSICOLOGIA DA FELICIDADE”, 

•“USAREMOS A PSICOLOGIA EM SEU FAVOR”

•“NÓS VAMOS ATÉ VOCÊ PARA SUA TRANQUILIDADE E SEGURANÇA.” 

• “A SUA PSICOLOGIA ESTA ERRADA” (visto este até em música)

•“A PSICOLOGIA DA COZINHA” 

•“AULAS DE DIREÇÃO 100% PRATICAS E PSICOLÓGICAS”

• “A PSICOLOGIA ESPIRITUAL”

•“A PSICOLOGIA DO HOMEM OU DA MULHER”

• “TUDO ISSO SEM SAIR DE CASA E AGORA MESMO!” 

•“CURE-SE COM A CIÊNCIA ALTERNATIVA EM UMA SEMANA”

• “MELHORE A SUA PSICOLOGIA” 

•“TREINAMENTO DE DIREÇÃO PRÁTICO E PSICOLÓGICO”

•“MUDANÇA DO PENSAMENTO PSICOLÓGICO AGORA MESMO” etc etc...

 

Sabemos que são ofertas tentadoras, mas nos esquecemos do quanto a banalização pode ser uma oportunidade para a estagnação tanto individual como social, favorecendo a construção de uma sociedade não - saudável. Onde nós, que fazemos parte dela, neste momento deixamos de refletir sobre fatos simples como ação –conseqüência, vislumbrando apenas o resultado final.

 

 

Quantas pessoas já tentaram a “PSICOLOGIA DA MAGREZA INSTANTÂNEA”?

Quantas pessoas destas obtiveram perda de saúde severa, e muitas vezes ficaram de fato pior do que estavam?

Quantas pessoas emagreceram a custa da sua própria saúde? Ou ainda, quantas pessoas reconhecem isso em si mesmas? 

E destas, quantas avaliaram tais dietas milagrosas realizadas, até obtendo resultado em curto prazo, mas acarretando prejuízos desastrosos a sua própria saúde há médio- longo prazo?

 

Ao se refletir por segundos podemos perceber que PSICOLOGIA É UMA CIÊNCIA APLICADA POR PSICÓLOGO, ASSIM COMO O PLANEJAMENTO DE UMA DIETA CABE A OUTRA ÁREA PROFISSIONAL, onde neste caso, o trabalho multidisciplinar se torna IMPRESCINDÍVEL, Pois apesar do  "Dr. Google" nos fornecer inúmeras opções, devemos nos atentar que se tratam  apenas de informações (muitas vezes inverídicas), nunca dispensando a consulta de profissionais qualificados. 

No entanto, sabemos que “não temos tempo”, e tentamos fazer tudo ao nosso modo, não é mesmo?

 

Podemos aqui citar vários exemplos como este, como: “AULAS DE DIREÇÃO 100% PRATICAS E PSICOLÓGICAS”, que resultam muitas vezes em aceleração e/ou desenvolvimento de quadros Depressivos,  Síndromes, como o Pânico, e/ ou Transtornos, como Ansiedade. Ao mesmo tempo, resultando em um trânsito  cada vez mais não- saudável. Reforçando a ilusão de que “todos” têm condição de conduzir um veiculo sem “SE COLOCAR EM RISCO E AOS OUTROS”. 

 

Além disto desconsiderando  possíveis prejuízos a sua saúde, que  infelizmente, só virão a ser descobertos (DIRIGINDO OU NÃO) a médio-longo prazo, podendo acarretar ainda um quadro de somatização. 

Tudo pela mera confusão de que motivação, NÃO É TRATAMENTO PERTECENTE A CIÊNCIA PSICOLÓGICA.

 

Poderíamos citar outras inúmeras ilustrações da nossa banalização de termos Psicológicos em nome da agilidade e rapidez, vislumbrando sempre apenas resultados como produtos de prateleira com funções específicas. É uma pena que em nossa contemporaneidade não percebemos que MUITAS VEZES QUEM SE FAZ E VENDE COMO PRODUTO SOMOS NÓS, não refletindo sobre nossos próprios atos.

 

2) A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA

 

 A Comissão de Direitos Humanos, assim como o Ministério da Saúde, reconheceu a gravidade do tema “Banalização do uso de medicamentos em nossa vida”, ressaltando ainda o mau preparo da medicina para lidar com o problema. A discussão sobre a medicalização é pouco feita no Brasil. A indústria farmacêutica joga todo um peso por meio de material informativo, congressos e faz com que a medicina comece a aceitar qualquer manifestação de sofrimento como algum tipo de doença fisiológica.

Buscando soluções individuais e tecnológicas para os problemas cotidianos, no discurso da medicina científica, está incluída a promessa de uma solução rápida e fácil para os problemas, como a administração de um medicamento.

Observa-se então um processo de medicalização da vida social, que vem transformando todo mal-estar psíquico em doença.

Há um processo de medicalização da vida social, em que problemas de ordem social são muitas vezes tratados como doença. Segundo pesquisas recentes a maioria dos usuários já chega ao serviço de saúde sob prescrição prévia de psicofármacos e que, encaminhados à consulta psiquiátrica, praticamente todos recebem prescrição de psicofármacos ignorando todas as demais formas de tratamento e possíveis diagnósticos diferenciados. Isso faz com que o próprio cuidado à saúde seja expropriado das pessoas, que perdem sua capacidade de responder por sua própria saúde.

É fato que o uso indiscriminado de medicamentos pode gerar danos irreversíveis à saúde. 

A grande crítica à “medicalização da vida”, termo utilizado por Ivan Illich (pensador e polímata austríaco), reside no fato de que os problemas medicalizados, de maneira geral, são vistos e tratados como déficits ou problemas biológicos, ignorando os fatores sociais e psicológicos complexos. Dessa forma, casos de violência podem ser negligenciados e tratados como depressão, para a qual recebe-se um medicamento. Quando tal sofrimento deve ser analisado e diagnosticado por um Psicólogo, profissional capacitado para diagnosticar a verdadeira causa dessa suposta depressão, ou tristeza por exemplo. 

A partir deste diagnóstico podem-se entender as necessidades reais de encaminhamento multidisciplinar ou Psiquiátrico, lembrando sempre que Psicologia e Psiquiatria são trabalhos específicos.

Verificar qual a melhor forma de tratamento é a maior demonstração de respeito que podemos dar as pessoas que se encontram em situação vulnerável, partindo sempre do preceito de minimizar efeitos colaterais decorrentes de intervenções clínicas, sendo que a indicação de medicalização sintética e uso de qualquer tipo de remédios deve acontecer somente quando realmente necessário.

 

 

SABEMOS QUE PSICOLOGIA É UMA CIÊNCIA CONSTRUÍDA ENTRE PSICÓLOGO E PACIENTE EM FORMA DE TRATAMENTO, E QUE ESTA CONSTRUÇÃO REQUER FORMAÇÃO CONTÍNUA, VISANDO EM PRIMEIRO LUGAR SEMPRE A SAÚDE. CLAREANDO ASSIM A NECESSIDADE DE PROGNÓSTICOS ADEQUADOS NO MOMENTO PRESENTE. 

ISTO IMPLICA DIZER QUE NÃO É NO FUTURO (vislumbrando o fim).

 

 

PENSE NISSO: CONSCIENTIZE-SE...

 

 

(*Nos atentamos, por enquanto, ao USO INDEVIDO do termo “Psicologia” e adjacências, relacionado à questão da deturpação da mensagem ao entendimento final do receptor).

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